29 de set de 2009

Liti Belinha Rheinheimer lançará nesta quinta-feira, 01 de outubro, o livro “Casa de Órfãos”, segundo volume da trilogia “O Campanário do Tempo”.

Uma sessão de autógrafos, marcada para as 18h, no Centro de Eventos do Hotel Swan Tower Hotel Novo Hamburgo, RS, marcará a apresentação do novo livro.






Casa de Órfãos, um romance histórico

Neste volume ela aborda, sempre de forma romanceada, o que prende o leitor, a miscigenação das raças no Rio Grande do Sul, a partir da instalação dos alemães na região do Vale do Rio dos Sinos.

Neste volume, a autora fala dos filhos daqueles que vieram da distante Europa. Criados na selva, entre irmãos de várias raças e sangues, já nem mais conhecem a Europa, nem o mar; apenas sabem de suas origens pelos relatos dos pais. A vida na colônia alemã é dura, e o encontro esporádico com pessoas de outros lugares faz com que os grupos sejam muito restritos. Então inicia-se o processo de miscigenação com outras raças.

O lançamento acontece três anos após a apresentação do primeiro volume da série, “Entre a Selva e o Sonho”, que conta de forma romanceada a saga dos imigrantes alemães na região do Vale do Sinos.
       
O primeiro volume da trilogia de Liti Belinha relata a saga de famílias alemãs que foram para o fundo da selva e lá tiveram que sobreviver, sem auxílio de médicos – na época, havia muitas doenças. Eles tiveram que enfrentar ainda o clima instável, animais selvagens, bugres, a falta de estradas, quase sem auxílio de ferramentas. Era uma vida dura, sem ferramentas para enfrentar as dificuldades naturais impostas pela rusticidade do ambiente. Os alemães chegaram ao país apenas com seus sonhos e com a vontade de viver e progredir.

A Trilogia

Lançado em agosto de 2006, com primeiro volume, “Entre a Selva e o Sonho”, a trilogia “O Campanário do Tempo” terá um total de três volumes que narram, em forma de romance histórico, a trajetória da imigração alemã no Rio Grande do Sul. A chegada dos imigrantes em uma terra selvagem, seus sonhos de vida nova, as duras dificuldades enfrentadas e a posterior miscigenação de raças são contadas por Liti Belinha, uma professora aposentada que sempre acalentou o sonho de publicar seus escritos.


A narração que mistura ficção e fatos históricos, pesquisados em relatos de jornais de época e em entrevistas com descendentes dos primeiros imigrantes, cria um ambiente de reconstrução dos primeiros dias dos colonos alemães que aqui chegaram.


Liti Belinha centra sua narrativa nos dramas pessoais de imigrantes que deixam a sua terra natal em busca de uma vida melhor, cheios de sonhos em direção a um país sobre totalmente desconhecido. Quando aqui chegam, os imigrantes se deparam com a dura realidade, em que falta tudo, além de passarem a viver em lugar de difícil acesso. Era preciso reconstruir a vida, e construir toda uma nova história.


Da vivência na nova pátria surge a convivência com novas raças e a miscigenação que ocorreu na região de colonização alemã. Como os primeiros imigrantes enfrentaram as dificuldades, como se relacionavam com as pessoas da terra, e como foram formando novos núcleos familiares é o centro deste primeiro volume.


A trilogia “O campanário do tempo” é a realização do sonho da professora de Literatura, descendente de alemães, que sempre teve interesse na história dos imigrantes alemães que vieram para o Brasil.


O terceiro e último volume, “O fim da eternidade”, está pronto. A expectativa da autora é conseguir apoio para publicar o livro em 2010.


A professora Liti Belinha Rheinheimer é conhecida de três gerações de estudantes de escolas da rede estadual de ensino e da Instituição Evangélica de Novo Hamburgo. Hoje aposentada, ela trabalhou durante mais de 30 anos como professora da rede estadual de ensino e da Instituição Evangélica, em Novo Hamburgo, RS.

Fonte: Raquel Guimarães

21 de set de 2009



Dr. Marcos Witt: "A festa dos 100 anos estará garantida"

Museus são locais onde fica guardada a história de uma cidade, de uma região, de um povo. O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, criado em 1959, conta como se formou nossa região que foi construída principalmente pelos imigrantes vindos da Alemanha. Milhares de estudantes visitam o museu todo o ano para conhecer mais sobre o nosso passado.

São Leopoldo, RS - O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, da cidade de São Leopoldo, berço da imigração alemã no RS, comemora 50 anos neste 20 de setembro já projetando seu futuro com a ampliação que prevê praticamente a duplicação do espaço. A nova área construída prevê 823 metros quadrados. Fundado em 1959, museu ganhou uma sala na antiga sede da Unisinos, e, depois, foi para uma casa na Rua Independência, 111 (sede do antigo Clube Riograndense), e desde 1985 está no prédio da Avenida Dom João Becker, 491. O prédio de dois andares, com 860 metros quadrados, ficou pequeno para abrigar o rico acervo, que além de milhares de peças e objetos, possui 150 mil documentos, mais de 13 mil fotografias, 14 mil volumes de livros e ainda uma extensa coleção de periódicos. No ano passado, 63 doadores encaminharam objetos ou documentos para o museu. Somente no primeiro semestre deste ano, 41 doadores já deixaram algum material, contra 23 em 2007 e, 25, em 2006.

"O museu remete ao passado, mas nós precisamos olhar para o futuro’’, afirma o presidente do Museu Histórico, José Carlos Eggers, referindo-se ao projeto técnico de ampliação já concluído. Segundo o presidente, no entanto, não há previsão para o início da ampliação. Para o presidente, o trabalho coletivo é que merece destaque nos 50 anos do museu. "A comunidade tem tido um papel fundamental na trajetória do museu. Até aqui foi feito um trabalho a muitas mãos’’, diz destacando o empenho do historiador Germano Moehlecke e do professor Telmo Lauro Müller. Eggers também cita os diversos governos municipais e a Câmara de Vereadores que aprovaram leis que reverteram recursos para o museu. "As pessoas que fazem doações para o museu também merecem ser lembradas. Graças a elas temos um acervo fantástico. Queremos continuar contando com o auxílio da comunidade para ajudar a construir esta história daqui para frente.’’

Comemoração - Os festejos dos 50 anos devem se estender até setembro de 2010. Entre as ações até lá está prevista a publicação de um livro sobre o cinquentenário. Neste mês, em comemoração ao aniversário, já sediou no último dia 14, a reunião da 1.ª Região Museológica e para o próximo dia 28 está agendada a sessão solene na Câmara de Vereadores, às 19 horas. O Ciclo de Palestras A música na imigração que se iniciou no dia 1.º e segue até o dia 29 e o coquetel que será oferecido hoje à noite para autoridades e convidados também irão marcar a data.

"Para o próximo meio século, o foco, certamente, será o equilíbrio entre os propósitos originais e a adequação aos tempos de tecnologia e permanente renovação cultural’’, afirma o historiador no museu e doutor em História, Marcos Witt. "O museu buscará formas de manter-se atualizado, conectado com as novidades. Se conseguir trilhar este caminho, a festa dos cem anos estará garantida.’’

A história da nossa região

O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo é uma entidade privada, sem fins lucrativos. Segundo o historiador Marcos Antônio Witt, o museu tem a origem relacionada à iniciativa de dez cidades que, originalmente, faziam parte do município de São Leopoldo, ponto inicial da imigração e colonização alemã no Sul do Brasil. Representantes destas cidades, entre elas Novo Hamburgo - que chegou a sediar reuniões na Fundação Evangélica -, tinham o objetivo de fundar um museu para guardar objetos, livros e documentos e preservar a história da imigração alemã. Apesar de ser reconhecido como o museu da imigração alemã, também tem peças e informações de outras etnias, como a indígena e a italiana. Conforme Witt, o grande diferencial do museu hoje é que ele se firmou como uma casa cultural da região. "Vamos continuar trabalhando neste sentido’’. Entre os projetos destaca-se o Música no Museu, além de ciclos de palestras abertas a comunidade, além de aulas de língua alemã e italiana.

Um sonho realizado

"O museu é o sonho do meu pai realizado’’, diz Elaine Ivelise Klumb, 56 anos, filha de um dos fundadores da casa, Telmo Lauro Müller, diretor por 48 anos do Museu Histórico. "Meu pai pensou em um local para guardar as coisas da imigração e, nem ele mesmo acreditou que teria tanta repercussão, inclusive internacional. Dizia que era um filho seu. O museu era como se fosse a sua casa. É uma pena que agora esteja acamado e não possa participar da celebração dos 50 anos.’’ Doente, o professor Telmo não estará na solenidade de comemoração do museu, mas certamente será um nome muito lembrado na noite.
Telmo Müller completou 83 anos no dia 17. Nascido em Lomba Grande, quando ainda pertencia a São Leopoldo na época, liderou o movimento que deu vida ao Museu Histórico em 1959. Formado em História e Geografia, foi professor e, depois, diretor da antiga Escola Normal, onde hoje funciona a Câmara de Vereadores. Lecionou no Instituto Rio Branco em São Leopoldo e na Instituição Evangélica de Novo Hamburgo.

O professor Telmo foi diretor do museu durante 48 anos, e, atualmente, é diretor de honra. É sócio-fundador do Instituto Histórico de São Leopoldo e foi membro atuante da Igreja de Cristo (a do relógio), sendo neto do construtor. O professor Telmo também é autor de diversos livros como Herança de Geração em Geração que fala da chegada dos primeiros alemães a São Leopoldo e a formação da comunidade evangélica no Município.

Cinquenta anos de um grande trabalho

O historiador Germano Moehlecke, um dos fundadores do Museu Histórico e primeiro presidente (cargo que ocupou por 42 anos e meio), diz que chegar aos 50 anos da instituição foi possível após um grande trabalho. "Cinquenta anos não são cinco dias’’, afirma. Moehlecke lembra que a primeira exposição ocorreu dia 25 de julho de 1960, quase um ano após a fundação. "Foi no Salão Nobre da Prefeitura e contava com cerca de 20 peças e alguns documentos, tudo de origem alemã’’, recorda. O historiador também ressalta o trabalho do fundador Telmo Lauro Müller. "Ele conduziu todas reuniões anteriores à fundação que ocorreu também no Salão da Prefeitura, durante gestão da prefeita Maria Emília de Paula.’’ Hoje, Moehlecke é presidente de honra do museu. Nos 50 anos de existência, o museu contou somente com dois presidentes. Desde 2001, José Carlos Eggers preside a casa.



Fonte: Jornal VS Online - Gruposinos Novo Hamburgo, RS - 19 09 2009
Site: www.jornalVS.com.br




15 de set de 2009

 
Panorama da Cidade, obtidos a partir da estrada de acesso pelo lado sul da cidade



Panorama da Cidade, obtidos a partir do morro que circunda a cidade pelo lado norte
 
casa de colono pioneiro, em estilo renano

Novas histórias para a cidade onde o pioneiro Leonhard Volz estabeleceu-se no Rio Grande do Sul.

O município de São José do Hortêncio faz parte da "velha colônia" alemã, e surgiu a partir da "interiorização"  do processo de colonização alemã,  iniciada na Feitoria do Linho Cânhamo, em São Leopoldo, nos idos de 25/07/1824.

Originalmente era conhecida como "Linha Portuguesa"; mais tarde, a ocupação do Vale do Caí avançou melhor pelo outro lado do morro, junto ao Rio Caí, usando como base de apoio o porto de São Sebastião do Caí, que por muito tempo constituiu município-mãe de São José do Hortêncio, até que se emancipou em 1988. 

A cidade ainda preserva características originais, principalmente a de ter uma longa rua principal, que constituía a antiga "linha" ou "picada", que levava em direção à localidade de Vale do Lobo, do município de Feliz.  O Vale do Lobo fica no outro lado do morro que fica ao norte da cidade; ali, no outro lado, existe um bonito e bucólico vale, que leva em direção à cidade de Feliz; essa localidade produz expressiva parte do total de moranguinhos do Rio Grande do Sul.


1 de set de 2009

OS 70 ANOS DA II GUERRA. O olhar gaúcho sobre o conflito. Veterano da Força Expedicionária Brasileira diz que lado humano das nossas tropas pesou na hora da rendição de divisão alemã. Para Paulo Nunes da Silva, 86 anos, a rendição foi uma escolha.


Na versão do veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) Paulo Nunes da Silva, 86 anos, a II Guerra Mundial – que há 70 anos registrava sua batalha inicial – ganha um capítulo que não está nos livros de história. Para ele, a rendição de uma divisão alemã às tropas brasileiras que estavam na Itália foi uma escolha.

Hoje, quando fala sobre o conflito, o gaúcho faz questão de não lembrar das cifras, das datas, dos lugares exatos e de todo detalhe capaz de despertar as lembranças amargas. Prefere não falar sobre o sofrimento trazido pela guerra que teve sua primeira batalha no dia 1º de setembro de 1939 e se arrastou até 1945, deixando cerca de 50 milhões de pessoas mortas.

Mais do que isso, evita lembrar dos horrores perpetrados durante o maior confronto armado da história da humanidade: a tirania nazista de Adolf Hitler, os cerca de 6 milhões de judeus e outras minorias dizimadas no Holocausto e as bombas atômicas lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Mas Silva não esquece da impressão que teve ao testemunhar a rendição de uma divisão alemã.

– Eu vi a organização do exército deles. Tinham muito mais material, muito mais apetrechos, principalmente da área médica, do que nós. Coisas maravilhosas, de última geração.

Diante de tamanha estrutura fez sua própria leitura da rendição:

– A organização que ficava por trás do exército alemão tinha determinado para o regimento que se entregasse. Eles não se renderam por terem sido pressionados, mas por determinação.

O veterano também acredita que a ordem ia mais além: a rendição deveria ser feita, especificamente, para as tropas do Brasil. O motivo estaria em uma característica marcante da FEB.

– Nossas tropas, segundo a visão dos alemães, eram muito mais humanas do que as americanas. Eles receberam ordens de se entregar para nós – argumenta.

Para o pracinha Sezefredo Marcondes Castilhos, 87 anos, a ideia também faz sentido. O gaúcho de Carazinho, que hoje mantém na garagem de casa seu QG particular de memórias da II Guerra, trabalhou no Depósito de Pessoal da FEB, em Staffoli, e no Hospital de Convalescentes de Montecatini Terme e atesta que as nossas tropas eram reconhecidas por suas benevolência.

– A gente fazia o bem. Apesar de estar lá para matar ou morrer, éramos humanos.

Ações como as que o próprio Castilhos realizou enquanto esteve na Itália certamente contribuíram para que os nossos combatentes fossem lembrados de uma maneira diferente.

– Muitas vezes fui para a minha barraca comer a “ração” fria que ganhávamos porque dava praticamente toda minha comida – lembra Castilhos.

Silva, o único de sete irmãos a optar pela vida militar, hoje se define como um soldado da paz – atua há 37 anos como voluntário do Centro de Valorização da Vida. Talvez por isso evite tanto falar do sofrimento vivido no front italiano. Os olhos cheios d’água e o silêncio surgem como resposta para perguntas como “o senhor teve de apertar o gatilho?”, “como fez para encarar as temperaturas negativas do continente europeu?”.

Na teoria, o bageense que preparava futuros integrantes da FEB, não iria para o campo de batalha. Na prática, foi vencido pelo espírito de equipe :

– Vi um outro sargento, que tocava clarinete e ia para guerra, colocar o instrumento na mochila que carregaria consigo o tempo todo. O indivíduo indo para a batalha e se preparando para tocar clarinete? Essa coisa ilógica despertou algo em mim. Não posso dizer com clareza o quê. Acho que foi companheirismo – confidencia.

Mas a dureza do confronto que se desenhou na sua frente em terras italianas o deixou com uma certeza:

– A coisa mais absurda e incoerente do ser humano é a guerra .

Fonte: www.zerohora.com - Porto Alegre, RS - 30 08 2009

Artigos Populares

Arquivo do blog

Lista de Blogs