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Imigração alemã celebra 185 anos

O ano de 2009 é de festa para os imigrantes alemães. Eles celebram os 185 anos da chegada das primeiras famílias ao Estado. Do barco pioneiro que atracou no Rio dos Sinos, em São Leopoldo, em 25 de julho de 1824, aos dias atuais, houve muita mudança.

SANDRO SCHREINER
sandro@correiodopovo.com.br

Concentrados na região do Vale do Sinos, os municípios que receberam a colonização germânica são polos de prosperidade. 'Eles tinham boas noções de carpintaria, de trabalho com couro e ferro e na construção de pequenas máquinas, o que impulsionou a economia', diz o pesquisador do Museu Visconde de São Leopoldo, Marco Antônio Witt. Dessa época, sobreviveram casas típicas em estilo enxaimel, que primeiro tinham a estrutura montada em madeira e, depois, as paredes preenchidas com barro e pedras.

A agricultura foi a base da maior parte das colônias. Aos poucos, o artesanato ganhou espaço e deu origem à abertura de pequenas oficinas. 'Essa atuação permitiu que os colonos tivessem a perspectiva de comercialização de produtos feitos artesanalmente, ampliando o relacionamento com os habitantes das regiões onde se estabeleceram', afirma o pesquisador. Os alemães também apostaram na educação. As famílias abriram suas escolas, o que contribui para que o Rio Grande do Sul tenha um dos menores índices de analfabetismo do país. Prova disso está em Morro Reuter, uma das cidades com maior percentual de descendentes e que ostenta o segundo lugar entre os dez municípios brasileiros com menor número de analfabetos. Essa lista inclui municípios como Feliz, Bom Princípio e Ivoti, todos de colonização alemã.

Outra contribuição dos imigrantes germânicos envolve as áreas de cultura e esporte. Como já conviviam em suas cidades de origem com as sociedades de canto, tiro e ginástica, eles trouxeram essa experiência para o RS. 'A primeira delas foi a Sociedade de Canto Orpheu, em São Leopoldo, fundada em 1858, seguida da Sociedade Ginástica Porto Alegre (Sogipa), primeira a apostar na formação de atletas', sustenta Witt. Até hoje, descendentes alemães exibem suas qualidades esportivas, tornando-se referência nacional, como é o caso do ex-jogador e técnico da Seleção Brasileira, Carlos Caetano Bledon Verri, o Dunga.

ALEXANDRE MENDEZ

Municípios gaúchos colonizados por famlías germânicas são hoje polos de prosperidade. Nas construções, o estilo enxaimel se destaca

Do Vale à Serra, 184 km de atrativos
Ponte do Imperador, a 2 km do Centro de Ivoti, uma das 13 cidades que integram a Rota Romântica

A colonização alemã tem mais um atrativo: o turismo. Características germânicas estão presentes nos 13 municípios que receberam imigrantes dessa nacionalidade. A denominada Rota Romântica, que se estende por 184 quilômetros entre a região do Vale do Sinos e a Serra, é um exemplo. 'São cidades com identidades próprias, mas que conservam a cultura, a culinária, as festividades, o artesanato e as belezas naturais, principalmente a partir do pé da Serra', assinala o presidente da Associação dos Municípios da Rota Romântica (AMRR), Claudio Weber.

A ideia do roteiro surgiu a partir de uma visita à Romantische Strasse, da Alemanha, muito conhecida na Europa. As prefeituras e associados da AMRR incentivam o plantio da árvore símbolo, o plátano. Weber salienta que a escolha se deve ao fato de a espécie já estar integrada à vegetação local e, também, porque ela faz parte do embelezamento da Rota Romântica alemã. 'Suas folhas assumem cores nos tons de vermelho durante o inverno, favorecendo o romantismo dos vilarejos coloniais localizados entre as montanhas e as planícies do traçado', destaca o dirigente. Integram a rota os municípios de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Dois Irmãos, Ivoti, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, Presidente Lucena, Picada Café, Nova Petrópolis, Gramado, Canela e São Francisco de Paula.
 
MAURO SCHAEFER / CP MEMÓRIA 

Famílias preservam usos e costumes trazidos pelos antepassados

As cidades procuram manter boa parte das características trazidas da Alemanha por antepassados. O idioma e os dialetos de regiões específicas do país são empregados em diferentes ambientes. A preservação de usos e costumes é centrada no fato de os casamentos ocorrerem, quase sempre, dentro da etnia. Em Ivoti, o casal João Daniel Welter e Eliana Weber Welter são um exemplo. Eles se conheceram no Colégio Mathias Schütz. Eliana sempre morou na Parada 48 Alta, na zona rural, e ele vivia na sede do município. Casados há seis anos, trabalham juntos no Alambique Weber Haus, produtor de uma das cachaças brasileiras mais premiadas no exterior. 'Sou de uma família dos pioneiros alemães daqui, que chegaram em 1826 e se instalaram na região próxima ao chamado Teufelsloch (Buraco do Diabo), de onde nunca saímos', conta Eliana. Ela relata que a família deu início à destilaria em 1948.

Embora não tenha nascido da imigração alemã, Porto Alegre também tem instituições que preservam a cultura germânica, como o Centro Cultural 25 de Julho, fundado em 1951. O local mantém três corais, um dos mais importantes grupos folclóricos germânicos do país – o Tanz mit Uns –, um curso do idioma e grupo de culinária. A Capital ainda abriga um dos mais antigos clubes recreativos de descendência alemã, a Sociedade Germânia, criada em 1855. Na cultura alemã, flores e música não podem faltar, como acontece em Ivoti, a Cidade das Flores, e em Nova Petrópolis, de canteiros e jardins cultivados com respeito.

ALEXANDRE MENDEZ
Casados há seis anos, João Daniel e Eliana trabalham juntos no Alambique Weber

SINIMBU: Legado dos colonizadores

O idioma alemão é comum nas mesas de bar, clubes, comércio, festas, jogos e no gabinete do prefeito Mario Rabuske, em Sinimbu. O legado dos pioneiros que iniciaram há 152 anos a colonização do município ainda é forte na comunidade. Os primeiros sinais são perceptíveis já na RSC 471, na arquitetura das casas que integram a Rota Turística do Rio Pardinho.

Segundo a secretária municipal de Educação, Cultura e Turismo, Jacinta Rabuske, é preciso haver alguém que saiba alemão em setores que têm contato com o público. Os jogos introduzidos no país pelos germânicos são atração na cidade. Outra tradição é ser exportadora de 'cuqueiras'. Depois de vários anos fazendo cucas para quermesses e aniversários, Íria Pranke, 68 anos, de Rio Pequeno, produz profissionalmente em forno de pedra.
Cuqueiras como Íria Pranke são patrimônio da cidade

LUCIAMEN WINCK
luwinck@correiodopovo.com.br

Fonte: Correio do Povo, Porto Alegre, RS - 16 07 2009
www.correiodopovo.com.br / Neus - www.brasilalemanha.com.br

Comentários

  1. Obrigado , pela bela apresentacao, lugares q fazem parte de nosso roteiro aos finais de semana, e aproveito para colher dados genealogicos.
    Newton

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