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Abraço sela a paz após 13 décadas de hostilidades


Ato público reconcilia famílias que são rivais desde massacre aos Mucker em 1874 na cidade de Sapiranga, a 51 Km ao norte de Porto Alegre, RS.

 Foto: Jacobina Mentz Maurer,



 Marcada pelo estigma do preconceito, a história dos muckers e de sua líder  Jacobina Maurer, em Sapiranga, no Vale do Sinos, ganha mais um capítulo depois de 135 anos. Em um ato público, descendentes das famílias dos Mucker e dos anti-Mucker selarão a paz, com um abraço, neste domingo,24.

(NOTA: Jacobina Maurer era casada com João Jorge Maurer, filho do casamento de Maria Barbara Volz (filha do pioneiro no RS, Leonhard Volz) com João Frederico Carlos Maurer)


Esse deve ser apenas o primeiro passo para buscar as boas energias levadas desta terra na ocasião em que dezenas de pessoas foram mortas, em 1874, no pé do Morro Ferrabraz. No dia 2 de agosto – data que marca os 135 anos do massacre –, um memorial será inaugurado como registro do  acordo de paz.

A iniciativa é dos pastores evangélicos da região. O pastor Flávio Hugentobler, de Sapiranga, destaca que os responsáveis pelas divergências já morreram, mas que permanecem ainda os descendentes e os registros deixados de seus atos.

– Foi deixada neste território uma marca de sangue derramado que não se apaga facilmente – afirma o pastor.



A história começa em 1868. Conhecedor das ervas medicinais, João Maurer tratava os colonos enquanto Jacobina dançava, rezava e lia trechos da Bíblia para os que aguardavam. Com o tempo, o casal Maurer ganhou fama e a movimentação no pé do morro incomodou moradores e autoridades. Preocupados com o que eles acreditavam se tratar de uma seita, pediram a intervenção do Exército. No conflito final, dezenas de Mucker foram mortos – entre eles, a líder, Jacobina.

Por décadas, a cidade se calou sobre o episódio. O historiador Lucio Fleck, 90 anos, atestou esse silêncio ao encontrar dificuldades para ouvir descendentes dos Mucker. A percepção do pesquisador é confirmada por alguém que sentiu na própria pele o peso de seu sobrenome. 
 
Durante toda a sua infância e juventude, o militar aposentado Flávio Oscar Maurer, 69 anos, queria saber da história que tanto envolveu o nome de sua família, mas o assunto era um tabu.

– Vivemos sempre sob o estigma do preconceito, querendo esconder isso – destaca Maurer que será representado pelo sobrinho, Marcelo Ferreira, 37 anos, no domingo.

Doutora em História, Dóris Fernandes descobriu que seus bisavôs e trisavôs se colocavam ao lado dos anti-Mucker. Convencida das injustiças cometidas à época, ela representará os descendentes dos rivais dos Mucker.

– Sapiranga ainda sofre com o efeito Mucker. As energias negativas deixadas pela dor humana permanecem aqui. Jacobina não foi nem uma heroína, nem uma bruxa. Foi uma mulher à frente do seu tempo que não abaixou a cabeça para as autoridades – destaca.

leticia.barbieri@zerohora.com.br
LETÍCIA BARBIERI | Sapiranga

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