26 de jul de 2009

O uso da língua alemã no RS foi considerado crime, alguns colonos foram presos e espancados por falarem o alemão. ... os soldados que não se expressavam bem em português eram obrigados a usar uma braçadeira preta, ... eram forçados aos trabalhos pesados.

Sob o título "As Violências contra os alemães e seus descendentes, durante a Segunda Guerra Mundial, em Pelotas e São Lourenço do Sul – Aspectos Culturais", o Prof. Dr. José Plínio Guimarães Fachel, da Universidade Federal de Pelotas – UFPel, RS, retrata episódios obscuros que põe às claras a bestialidade humana típica de situações de guerra. 
 
Na Europa, os nazistas foram cruéis com os judeus. Aqui, os "judeus" foram também os alemães e principalmente seus descendentes brasileiros, com direito a "Kristallnacht - Noite dos Cristais"  e tudo mais em Porto Alegre, Pelotas e outras cidades. A verdade precisa ser conhecida porque repõe as coisas nos seus devidos lugares. 
 
Faz bem à auto-estima de quem foi humilhado e punido como cúmplice dos horrores do além-mar e põe a mão na consciência de quem se apressa em condenar só os odiados inimigos. 
 
 
 
Fonte : Neus (www.brasilalemanha.com.br)
 


24 de jul de 2009

O ano de 2009 é de festa para os imigrantes alemães. Eles celebram os 185 anos da chegada das primeiras famílias ao Estado. Do barco pioneiro que atracou no Rio dos Sinos, em São Leopoldo, em 25 de julho de 1824, aos dias atuais, houve muita mudança.

SANDRO SCHREINER
sandro@correiodopovo.com.br

Concentrados na região do Vale do Sinos, os municípios que receberam a colonização germânica são polos de prosperidade. 'Eles tinham boas noções de carpintaria, de trabalho com couro e ferro e na construção de pequenas máquinas, o que impulsionou a economia', diz o pesquisador do Museu Visconde de São Leopoldo, Marco Antônio Witt. Dessa época, sobreviveram casas típicas em estilo enxaimel, que primeiro tinham a estrutura montada em madeira e, depois, as paredes preenchidas com barro e pedras.

A agricultura foi a base da maior parte das colônias. Aos poucos, o artesanato ganhou espaço e deu origem à abertura de pequenas oficinas. 'Essa atuação permitiu que os colonos tivessem a perspectiva de comercialização de produtos feitos artesanalmente, ampliando o relacionamento com os habitantes das regiões onde se estabeleceram', afirma o pesquisador. Os alemães também apostaram na educação. As famílias abriram suas escolas, o que contribui para que o Rio Grande do Sul tenha um dos menores índices de analfabetismo do país. Prova disso está em Morro Reuter, uma das cidades com maior percentual de descendentes e que ostenta o segundo lugar entre os dez municípios brasileiros com menor número de analfabetos. Essa lista inclui municípios como Feliz, Bom Princípio e Ivoti, todos de colonização alemã.

Outra contribuição dos imigrantes germânicos envolve as áreas de cultura e esporte. Como já conviviam em suas cidades de origem com as sociedades de canto, tiro e ginástica, eles trouxeram essa experiência para o RS. 'A primeira delas foi a Sociedade de Canto Orpheu, em São Leopoldo, fundada em 1858, seguida da Sociedade Ginástica Porto Alegre (Sogipa), primeira a apostar na formação de atletas', sustenta Witt. Até hoje, descendentes alemães exibem suas qualidades esportivas, tornando-se referência nacional, como é o caso do ex-jogador e técnico da Seleção Brasileira, Carlos Caetano Bledon Verri, o Dunga.

ALEXANDRE MENDEZ

Municípios gaúchos colonizados por famlías germânicas são hoje polos de prosperidade. Nas construções, o estilo enxaimel se destaca

Do Vale à Serra, 184 km de atrativos
Ponte do Imperador, a 2 km do Centro de Ivoti, uma das 13 cidades que integram a Rota Romântica

A colonização alemã tem mais um atrativo: o turismo. Características germânicas estão presentes nos 13 municípios que receberam imigrantes dessa nacionalidade. A denominada Rota Romântica, que se estende por 184 quilômetros entre a região do Vale do Sinos e a Serra, é um exemplo. 'São cidades com identidades próprias, mas que conservam a cultura, a culinária, as festividades, o artesanato e as belezas naturais, principalmente a partir do pé da Serra', assinala o presidente da Associação dos Municípios da Rota Romântica (AMRR), Claudio Weber.

A ideia do roteiro surgiu a partir de uma visita à Romantische Strasse, da Alemanha, muito conhecida na Europa. As prefeituras e associados da AMRR incentivam o plantio da árvore símbolo, o plátano. Weber salienta que a escolha se deve ao fato de a espécie já estar integrada à vegetação local e, também, porque ela faz parte do embelezamento da Rota Romântica alemã. 'Suas folhas assumem cores nos tons de vermelho durante o inverno, favorecendo o romantismo dos vilarejos coloniais localizados entre as montanhas e as planícies do traçado', destaca o dirigente. Integram a rota os municípios de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Dois Irmãos, Ivoti, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, Presidente Lucena, Picada Café, Nova Petrópolis, Gramado, Canela e São Francisco de Paula.
 
MAURO SCHAEFER / CP MEMÓRIA 

Famílias preservam usos e costumes trazidos pelos antepassados

As cidades procuram manter boa parte das características trazidas da Alemanha por antepassados. O idioma e os dialetos de regiões específicas do país são empregados em diferentes ambientes. A preservação de usos e costumes é centrada no fato de os casamentos ocorrerem, quase sempre, dentro da etnia. Em Ivoti, o casal João Daniel Welter e Eliana Weber Welter são um exemplo. Eles se conheceram no Colégio Mathias Schütz. Eliana sempre morou na Parada 48 Alta, na zona rural, e ele vivia na sede do município. Casados há seis anos, trabalham juntos no Alambique Weber Haus, produtor de uma das cachaças brasileiras mais premiadas no exterior. 'Sou de uma família dos pioneiros alemães daqui, que chegaram em 1826 e se instalaram na região próxima ao chamado Teufelsloch (Buraco do Diabo), de onde nunca saímos', conta Eliana. Ela relata que a família deu início à destilaria em 1948.

Embora não tenha nascido da imigração alemã, Porto Alegre também tem instituições que preservam a cultura germânica, como o Centro Cultural 25 de Julho, fundado em 1951. O local mantém três corais, um dos mais importantes grupos folclóricos germânicos do país – o Tanz mit Uns –, um curso do idioma e grupo de culinária. A Capital ainda abriga um dos mais antigos clubes recreativos de descendência alemã, a Sociedade Germânia, criada em 1855. Na cultura alemã, flores e música não podem faltar, como acontece em Ivoti, a Cidade das Flores, e em Nova Petrópolis, de canteiros e jardins cultivados com respeito.

ALEXANDRE MENDEZ
Casados há seis anos, João Daniel e Eliana trabalham juntos no Alambique Weber

SINIMBU: Legado dos colonizadores

O idioma alemão é comum nas mesas de bar, clubes, comércio, festas, jogos e no gabinete do prefeito Mario Rabuske, em Sinimbu. O legado dos pioneiros que iniciaram há 152 anos a colonização do município ainda é forte na comunidade. Os primeiros sinais são perceptíveis já na RSC 471, na arquitetura das casas que integram a Rota Turística do Rio Pardinho.

Segundo a secretária municipal de Educação, Cultura e Turismo, Jacinta Rabuske, é preciso haver alguém que saiba alemão em setores que têm contato com o público. Os jogos introduzidos no país pelos germânicos são atração na cidade. Outra tradição é ser exportadora de 'cuqueiras'. Depois de vários anos fazendo cucas para quermesses e aniversários, Íria Pranke, 68 anos, de Rio Pequeno, produz profissionalmente em forno de pedra.
Cuqueiras como Íria Pranke são patrimônio da cidade

LUCIAMEN WINCK
luwinck@correiodopovo.com.br

Fonte: Correio do Povo, Porto Alegre, RS - 16 07 2009
www.correiodopovo.com.br / Neus - www.brasilalemanha.com.br

1 de jul de 2009

Os 185 anos da chegada dos imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul (1824 - 25 de julho - 2009) foram lembrados pela Câmara Municipal de Porto Alegre nesta segunda-feira, 29, em sessão antecipada devido ao recesso parlamentar de julho.

(Nota: Melhor duas do que nenhuma! Devido a uma pane técnica, você pode estar recebendo esta mensagem uma segunda vez. É claro que contamos com a sua compreensão! Obrigado, Redação BrasilAlemanha/Neues)
Proposta pelo vereador Beto Moesch (PP), a homenagem contou com as presenças do cônsul-geral da Alemanha no RS e SC, Norbert Kürstgens, e dos presidentes da Fecab - Federação dos Centros de Cultura Alemã no Brasil, Jorge Wolfgang Globig, e do Instituto Cultural Brasileiro-Alemão, Gerhard Jacob, além de representantes de vários segmentos da imigração alemã.

Foto Elson Sempé Pedroso

Vereador Beto Moesch e cônsul-geral Norbert Kürstgens
Moesch lembrou que os imigrantes alemães ajudaram o Rio Grande do Sul a transformar-se em uma potência industrial no século XX. “Os colonizadores ousados que colaboraram para o desenvolvimento da agricultura em solo gaúcho foram os mesmos que, com suas habilidades artesanais, formaram as bases da industrialização no Estado”, comentou, acrescentando que a identidade alemã está estreitamente vinculada à laboriosidade e ao associativismo. 

Conforme o parlamentar, a capital gaúcha é privilegiada por abrigar a riqueza histórica germânica e sediar o Consulado Geral da Alemanha, a Câmara Brasil-Alemanha e diversas entidades de origem alemã. “Poderíamos aproveitar mais essa proximidade e nos beneficiar da força tecnológica, cosmopolita e democrática da nação alemã em um saudável intercâmbio de desenvolvimento”, afirmou.
 
Ele ainda citou a importância da memória da imigração para o desenvolvimento do turismo no Estado. “Muitos municípios do interior ainda preservam a arquitetura germânica nas casas, utilizam o idioma alemão e promovem festas populares típicas”, destacou.
 
Riqueza

Adeli Sell (PP), que presidiu a solenidade, agradeceu aos alemães e a seus descendentes pela capacidade empreendedora, "que ajudou a construir a riqueza econômica e social do Estado". O vereador assinalou a contribuição cultural germânica e a data de 25 de julho de 1824, que simboliza a chegada da primeira leva de imigrantes alemães ao Vale do Sinos, de onde se espalharam para colonizar outros tantos municípios. "Parabéns e muito obrigado!", frisou.

João Carlos Nedel (PP) recordou de sua origem germânica e do aprendizado recebido do pai, permeado de valores como amor à ordem e à disciplina e da vocação para o trabalho, características inerentes ao povo alemão. "Essa é herança é maior que a própria colonização", definiu. Na opinião do vereador, o Brasil ganhou em todos os campos ao receber os alemães, cuja influência é facilmente perceptível nas mais diversas áreas.

História

O presidente da Federação dos Centros de Cultura Alemã no Brasil, Jorge Wolfgang Globig, explicou que os 39 imigrantes pioneiros alemães aportaram primeiro em Porto Alegre, em 18 de julho de 1824. Uma semana depois chegariam à região de São Leopoldo, ficando a data de 25 de julho estabelecida como marco inicial da imigração. Mas a influência sobre a Capital, na sua opinião, também foi enorme em diversas áreas, como a arquitetura, cujo maior representante foi o alemão Theodor Wiedersphan, responsável pela criação, no início do século 20, dos principais monumentos arquitetônicos que hoje orgulham a capital gaúcha. Ao agradecer a homenagem, Globig convidou todos a participarem dos festejos dos 185 anos. No dia 17 de julho, no Centro Cultural 25 de Julho de Porto Alegre, serão homenageados, como representante da capital, a historiadora Hilda Agnes Hübner Flores e, como representante do interior, o museólogo Flávio Seibt, fundador e diretor do Museu de Venâncio Aires.

Foto Elson Sempé Pedroso

Jorge Wolfgang Globig, presidente da Fecab

O cônsul-geral da Alemanha, Norbert Kürstgens lembrou  os desafios encontrados pelos imigrantes pioneiros. "Em 1824, o Rio Grande do Sul era uma terra despovoada, com pouco mais de 100 mil habitantes, dos quais 10% viviam em Porto Alegre", informou. "Na Alemanha da época, devido às guerras, à fome, e ao desemprego maciço decorrente da Revolução Industrial, as perspectivas eram sombrias". Segundo ele, dos milhões de alemães que emigraram, cerca de 300 mil embarcaram para o Brasil. "A recompensa: um pedaço de terra, uns poucos utensílios e uma floresta de perigos e desafios pela frente”.
Conforme Kürstgens, hoje não existe setor de atividade no Rio Grande do Sul em que não se faça presente a herança da colonização alemã. Ele citou como exemplo a arquitetura, em especial a série de prédios históricos no Centro de Porto Alegre projetada por Theodor Wiederspahn, "considerado o maior arquiteto gaúcho". Sugeriu que a Câmara Municipal fizesse justiça a este grande vulto, até hoje não lembrado por nenhuma rua ou praça da capital gaúcha.

Foto Elson Sempé Pedroso
 
Cônsul-geral, Norbert Kürstgens
 
O cônsul-geral também sugeriu que o idioma alemão seja introduzido como opção no ensino fundamental. “Com quase um terço de habitantes de origem germânica, Porto Alegre assiste à perda gradual ou quase total da língua alemã pelos descendentes”, lamentou. Com isso, segundo ele, a sociedade deixa de usufruir as vantagens da assimilação científica e tecnológica mais direta da crescente integração Brasil-Alemanha.

Foto Elson Sempé Pedroso

Representantes da imigração alemã com o vereador Beto Moesch: Secretário
Nilton Braga Rosa (E), Valmor Kerber, Renato Kops, Leandro Telles, Guido Moesch, Arlindo Mallmann, Beto Moesch, Silvio Rockenbach, Décio Krohn, Norberto Gercke e Jorge Globig
 
Também saudaram os 185 anos os vereadores Ervino Besson (PDT) e Carlos Comassetto (PT). Além de Sell, Globig, Kürstgens e Jacob, compuseram a Mesa da solenidade o deputado estadual João Fischer, representante da presidência da Assembleia Legislativa, e a coordenadora de Línguas Estrangeiras da Secretaria Municipal de Educação, Joice Armani Galli.
 
 
Fontes:
Jorn. Claudete Barcellos - Assessoria de Comunicação/Câmara Municipal de Porto Alegre
Site  Ver. Beto Moesch 
Redação BrasilAlemanha/Neues
 
 

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